O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), organismo tutelado pelo Ministério da Saúde, investe na formação de técnicos de ambulância de emergência, mas na maioria dos casos acaba por não os contratar, desperdiçando recursos e perdendo o investimento profissional. Estima-se que 1500 técnicos não exerçam. Cada formação custa entre 500 a 1000 euros, o que totaliza cerca de 1,5 milhões de euros.
Os técnicos de ambulância de emergência (TAE) adquirem vastos conhecimentos na área do socorro, em cursos com duração de 210 horas. A esta formação soma-se o curso de formação de desfibrilhação automática externa, com a duração de, pelo menos, oito horas, essencial para salvar a vida de uma pessoa em situação de risco de vida.
Vários formandos de TAE acabam por desistir de esperar, durante meses, por uma contratação por parte do INEM, e acabam por procurar trabalho em empresas privadas de transporte de doentes ou em corporações de bombeiros, exibindo como qualificações o certificado de competências adquirido com a formação no INEM.
Esta situação é do conhecimento de Nelson Baptista, presidente da Associação Nacional de Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. 'No País existem mais de três mil pessoas com formação mas apenas metade exerce, o que revela como se está a desperdiçar recursos'.
Questionado pelo CM, o INEM recusou prestar quaisquer esclarecimentos.
FORMANDOS ESTÃO EM DESESPERO
Vários formandos ouvidos pelo CM garantem que 'serão cerca de cem as pessoas que, desde o início do ano, receberam formação nos vários cursos do INEM para técnicos de ambulância de emergência (TAE), mas que, em muitos casos, desistem de esperar por um contrato e vão procurar trabalho noutra empresa'.
Apesar de o anúncio que pede candidatos para a formação de TAE referir a 'criação de uma bolsa de recursos humanos especializados para eventual contratação', alguns formandos ouvidos pelo CM garantem que lhes foram criadas não só expectativas como também foram dadas 'garantias verbais de contratação por formadores e dirigentes do INEM'.
'O INEM está a abrir concursos para ter pessoas em reserva, quando tem muitas pessoas já formadas e não abre concursos para vaga', queixa-se um formando.
SOCORRO PRÉ-HOSPITAL DESCOORDENADO
A formação de técnicos de ambulância de emergência e a aquisição de novas ambulâncias e helicópteros para o socorro das populações são medidas que surgem na sequência da reforma na Saúde, com a requalificação das Urgências. OMinistério da Saúde decidiu reforçar a assistência pré-hospitalar com estes meios técnicos e humanos, especialmente vocacionados para as localidades que perderam as Urgências hospitalares, além das populações que viram ser encerrados os serviços de atendimento permanente no período nocturno. Nelson Baptista, da Associação Nacional de Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, acusa a 'descoordenação do socorro'.
APONTAMENTOS
ASSISTÊNCIA VARIADA
Os TAE recebem formação para lidar com vítimas de intoxicação, de paragem cardiorrespiratória, de acidente vascular cerebral, com grávidas em trabalho de parto, e para assistir crianças, entre outras competências técnicas.
TRATAR OS SINTOMAS
Os técnicos não são médicos nem enfermeiros e não fazem diagnósticos. Tratam sinais e sintomas das vítimas até à entrada no hospital. Estão em comunicação permanente com o INEM, através do CODU.
in Correio da Manhã, 21 de Agosto de 2008